A águia - uma lição de vida e renovação - Estudos Bíblicos

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A águia - uma lição de vida e renovação

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TEXTOS: Isaías: 40.30:31
 
Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os mancebos cairão, mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias correrão, e não se cansarão; andarão, e não se fatigarão."
 
INTRODUÇÃO 
Só se renova algo que está velho, gasto, deteriorado, necessitado e fraco. A vida e o comportamento da águia nos revela grandes lições a este respeito. Não apenas a águia simboliza majestade como também força, porque é extremamente forte. Por exemplo, uma águia pode descer do céu subitamente, apanhar um animal do chão que pesa tanto quanto ou mais do que ela e voar com aquele animal em suas garras.

1) A ÁGUIA VOA ALTO
O caminho da águia é no céu. Ela não foi criada para viver arrastando-se nos vales da vida e nas depressões da terra. Deus a criou para as alturas. Ela não é como o inhambu, presa fácil que vive levando tiro na asa porque só voa baixo. Há pessoas que vivem num plano muito inferior - voam baixo demais - sofrem ataques por todos os lados porque não saem da zona de perigo - vivem pisando em terreno minado, com os pés no território do adversário - por isso estão feridas, machucadas, porque não voam mais para cima - estão na igreja mas não se libertam do mundo - coração dividido, quer servir a Deus mas não quer renunciar o mundo - zombando do pecado Pv 14:9.  Exemplo: Sansão. Quebrou os votos, ficou fraco. Não foi como águia, ficou ciscando lixo e entulho, com os pés na lama como galinha. Cl 3.1,2.
 
2) A ÁGUIA ALÇA SEU VÔO CADA VEZ MAIS ALTO
O segundo vôo é mais alto do que o primeiro e o terceiro mais alto do que o segundo. O crente não deve viver sobre altos e baixos. Há crentes que são instáveis, oscilam demais, hora estão animados demais, hora estão desanimados com tudo, inclusive com a Igreja; somente animam quando recebem uma oração “forte” ou participa de um congresso onde o pregador em nada aprendeu de Jesus no que diz respeito à homilia. Deus não nos chamou para o fracasso mas para o triunfo, 2 Co 2.14; vencedores Rm 8.37; a nossa dinâmica não é 5 passos para frente e 4 para trás mas, é de força em força, sempre para frente, para o alvo que é Cristo.

3) A ÁGUIA VOA ACIMA DA TEMPESTADE
Sempre que vê a tempestade, as nuvens escuras e os relâmpagos riscando o céu, ouve o ribombar dos trovões, ela se agiganta, voa com intrepidez, ganha as alturas, paira acima da tempestade e sobrevoa em perfeita bonança. É insensato vivermos abaixo da tempestade sofrendo os seus efeitos catastróficos se podemos voar alto e desfrutarmos do refrigério e bonança nos braços do Deus vivo. Jonas fugindo de Deus provocou um vendaval. O avestruz ao ver o perigo esconde a cabeça na areia. O segredo é voar um pouco mais alto e agasalhar-nos nas asas do Deus onipotente. Ele é a nossa torre de libertação, alto refúgio, esconderijo seguro, abrigo no temporal.

4) A ÁGUIA VOA EM LINHA RETA
(É transparente). Como uma flecha, um projétil. Seu vôo não é em circulo e nem sinuoso.  Os que esperam no senhor devem voar em linha reta, ou seja, precisam ser transparentes e íntegros. A vida do crente não pode ter sinuosidade, nada escondido e secreto; somos filhos da luz e devemos andar na luz, sem máscaras e disfarce; nossa palavra é sim,  sim, e não, não; temos que viver o que pregamos. Há pessoas que tratam com polidez os amigos, mas a família com brutalidade - são anjos na igreja e demônios em casa - como Naamã são heróis lá fora e doentes em casa - quando tiram a máscara estão cheios de lepra - o maior obstáculo para a igreja é a pessoa que vive uma vida desordenada. O subcristianismo é pior do que o anticristianismo. Um crente sem integridade é pior do que um ateu. (Farisaísmo). A igreja precisa ter a integridade de José, de Daniel e Neemias. O crente não pode ser conivente com o erro; não pode ser corrupto nem corrompido; seu caminho não pode ser sinuoso; ele deve voar reto como a águia.

5) A ÁGUIA NÃO VOA EM CIRCULO E SIM PARA FRENTE
Ela voa reto porque tem alvo definido. Sabe de onde veio e para onde vai. Não  vive sem rumo e sem destino. Não está perdida. Não vive estagnada. Não anda para trás e nem de lado como caranguejo. Revela no seu vôo desenvolvimento, progresso, crescimento e avanço. Há pessoas que diferente da águia são como urubu.  O urubu não voa em linha reta, mas em circulo, para lugar nenhum, sem progredir, e quando progride, é porque encontrou algum cadáver de animal em decomposição, menos o de uma águia, porque não se vê por aí um cadáver de águia,  onde os urubus tem acesso, porque quando elas sentem que chegou a hora de partir, procuram com os seus olhos os picos mais altos e ali sem reclamar espera nas alturas o momento de morrer. Normalmente os crentes não são assim, voam como andorinha e urubus, em bando e em torno de si mesmas. Entra ano sai ano e estão voando, mas, sempre no mesmo lugar, o que tem tudo a ver com a terra, com o que é terreal, que gira sempre em torno de si mesma, com os mesmos problemas e pecados, não saem do lugar, como Sansão, por exemplo: (Jz 16.21). O ramo que não produz vai para o fogo Mt 25.30.
 
O urubu sempre que voa em circulo, sobrevoa onde há putrefação, mau cheiro, etc. Assim é a pessoa que não procura crescer. Além de estagnado começa a se deter nas regiões mal cheirosas. Sente atração por tudo o que é fétido, envolvido com tudo que cheira mal. Adoram uma piada, até mesmo indecorosa, futricam a vida alheia, desconhecem as recomendações de Paulo em (1Coríntios 15:33)  “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes”. Essas pessoas alegram-se com a ruína dos outros - a morte dos outros é a sua vida. São como o urubu, quanto pior para os outros, melhor para si. A igreja precisa acordar, trabalhar e crescer. Devemos andar para frente. Pois na Bíblia somos comparados à águia.
 
6) A ÁGUIA VOA NA DEPENDÊNCIA DO VENTO
Os cientistas descobriram que suas asas são enormes, desproporcionais com relação ao tamanho do seu corpo. Por quê? Em tudo Deus tem um propósito. A águia pelo fato de fazer vôos muito altos e longos, não poderia rufar as asas como o beija-flor, porque se cansaria muito e não poderia ficar no ar por muito tempo, por isso ela precisa de asas grandes e fortes.
 
Assim quando ela galga as maiores alturas, simplesmente abre suas asas e planando, deixa que a força do vento a carregue. Se quiséssemos alçar vôos altos e longos não poderíamos voar na nossa própria força, porque assim, ficaríamos fatigados, estafados, faríamos muitos ruídos, e por fim jamais conseguiríamos. Nosso trabalho seria em vão e não obteríamos fruto algum.
 
Se queremos atingir as alturas da comunhão com Deus, precisamos voar na força do vento do Espírito, guiados pelo vento e voar na direção do vento, conforme o próprio Senhor disse a Nicodemos e João 3:8  “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”. O Espírito de Deus é quem norteia a direção do vento.
 
Não é por força nem por poder que avançamos, mas pelo Espírito Santo de Deus. A igreja do Senhor é um organismo vivo, e no sentido espiritual ela independe de quaisquer recursos humano, mas no sentido organizacional ela tem tudo, a saber: métodos, estrutura, organização, material humano, recursos financeiros, mas presa a estes recursos necessários ela tem feito vôos muito baixos e curtos e praticamente não alcança o objetivo necessário, fica restrita a um grupinho, cada um “espiando” o outro, dentro de uma forma regimental própria de suas ideias.
 
Claro que a Igreja em tudo deve obedecer os preceitos legais, desde que estes não conflitam com os estatuídos nas Sagradas Escrituras. Jesus recomendou: em Marcos 12:17  “E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus. E maravilharam-se dele”.
 
Em Gálatas 3:12, Paulo afirma: “Ora, a lei não é da fé, mas o homem que fizer estas coisas por elas viverá”. É necessário que a Igreja como instituição religiosa e divina (Artigo 44 Inciso IV da Lei 10.406 de 10/01/2002 e a Lei 10.825 de 22/12/2003) tenha seu estatuto devidamente registrado em Cartório competente, paralelamente deve ter um regimento interno, deve estar devidamente inscrita no CNPJ/MF – Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda, deve ter um contador para manter sempre em dia sua contabilidade, junto à Receita Federal, assim como deve ter sempre contratado um advogado para que lhe preste a assistência jurídica necessária, observando também todas as posturas municipal. Fazendo assim, ela cumpriu a Lei, mas, acima de tudo, a Igreja deve saber que antes que a Constituição Federal lhe conferisse o direito de ir e vir, professar sua fé, Jesus, já a havia incumbido de pregar a todo o mundo o Evangelho, as Boas Novas. Face ao exposto, é dever da Igreja conciliar as duas coisas, conforme disse Jesus: dar a César o que lhe pertence e a Deus o que é dele. 

Mas, a Igreja hodierna está presa. A igreja precisa de sair da teoria e ir para a prática. Ter pressa de ir lá fora onde estão os pecadores. Não ser como a tartaruga, mas sim como a águia. Deve ser impulsionada pelo vento do Espírito, impetuoso que soprou no Pentecostes para sair das quatro paredes. Precisa receber aquele vento poderoso que soprou no vale de ossos secos e espalhados, onde reinava a morte, para que haja abundância de vida. O albatroz, ao contrário da águia, inclusive por ser uma ave marítima, tem dificuldade para voar. Seu vôo é baixo, curto e dramático. A aterrissagem é desastrosa. Ele chega até a se ferir na hora do pouso. O problema é que ele tem o papo muito grande então não consegue voar alto e nem pousar direito.
 
Há crentes que não conseguem progresso porque estão com o papo muito grande; está sempre se elogiando; é autoconfiança demais; arrota uma santidade falsa. Esse é carnal, é um albatroz e não uma águia.  A Bíblia diz que Deus resiste ao soberbo Tg 4.6. O que se exalta será humilhado, a exemplo temos entre muitos, Nabucodonosor e Herodes. Há um ditado que diz que lata cheia não faz barulho. Mas lata vazia é só encostar e já está fazendo estardalhaço. A espiga cheia, madura não fica empinada, mas o restolho, chocho e vazio fica empinado, soberbo. Que Deus nos dê a graça de sermos como a águia que voa na força do vento e não como o albatroz que não consegue voar porque tem o papo grande.
 
7) A ÁGUIA TEM VISÃO INTEGRAL
Ela enxerga em todas as direções, ângulos e perspectivas. Para frente, para os lados, e com um leve esforço da cabeça também enxerga para trás. 360 graus. Sua visão é global, ela vê tudo, percebe os detalhes e toma sempre a melhor direção. Quando a Bíblia diz que somos como a águia, ela tem algo a nos ensinar. Os que esperam no Senhor precisam ter visão dilatada. O crente não pode ter a mente estreita. Não pode enxergar apenas o seu micro universo como se estivesse olhando por um tubo. Ele deve ter uma visão integral das coisas. Ele tem a mente de Cristo e deve olhar para a vida como Deus olha. Exemplos:
 
EM RELAÇÃO À DOUTRINA (quando esta é confundida com usos e costumes) - muitos são tão zelosos da “doutrina” que se esquecem da prática da piedade. Brigam pela verdade, mas se esquecem de vivê-la. Outros se preocupam só com experiências e não conhecem a Palavra. Jesus condenou esse duplo extremismo Mt 22.29. Tem muita gente perita em Bíblia mas analfabetas do poder de Deus. Tem teologia, mas não tem vida, tem palavra, mas não tem unção.
 
Por outro lado há aqueles que querem ser doutores acerca do poder de Deus. Fazem barulho, prometem milagres, mas não conhecem nada das Escrituras, são analfabetos da Bíblia. Estes são míopes, vesgos, não tem a visão da águia.
 
EM RELAÇÃO À LITURGIA - muitos defendem a tese da liturgia solene, tradicional, mas acabam caindo numa liturgia fria, gelada e morta. O culto vira cerimonialismo, onde não se pode ouvir um nenê chorar. Não pode sequer tossir ou espirrar, a não ser que saia do recinto ou coloque a cabeça entre as pernas. Não há espaço para o povo de Deus abrir o coração e louvar com entusiasmo. Não há liberdade para gritar Glória a Deus. Do outro lado, outros brigam pela LITURGIA MODERNA – extravagante, frenética, Esse tipo de pessoa só extravasa suas emoções quando fala de dinheiro, política, futebol, filmes, festanças, pregador estardalhaçante, sistema de sonorização caríssima, mas, sempre controlada por surdos, e pior: incomplacentes.
 
Diante de Deus não se sentem liberdade plena; não conhecem os glórias e aleluia de júbilo; não se deleitam diante de Deus. Ec 9.4. Por outro lado há igrejas em que a liturgia é uma confusão, uma desordem, um emocionalismo exacerbado onde as pessoas se alienam da razão. Em vez de esclarecidas ficam mais perturbadas, em vez de curadas ficam mais doentes.
 
Um grande problema que enfrentamos hoje é a introdução dos modelos mundanos na igreja (músicas, ritmos, moda, etc.). Precisa haver equilíbrio. A liturgia precisa ser com ordem e decência, mas também cheia de vida, entusiasmo e calor. Liberdade do Espírito não é sinônimo de confusão. Ordem e decência não são contrários à liberdade do Espírito. É preciso discernimento nessa área, nesses dias.

EM RELAÇÃO À OBRA MISSIONÁRIA - Devemos ter o discernimento de John Wesley quando disse: "A minha paróquia é o mundo". Jesus disse que o campo é o mundo. Toda visão missionária que não seja do mundo inteiro não é visão de Deus. Cristo morreu para comprar com o seu sangue os que procedem de todas as tribos, povos, línguas e nações. Não podemos ficar limitados entre quatro paredes; não podemos investir apenas na igreja local. Temos que alcançar o mundo inteiro em cada geração. É necessário uma visão abrangente da obra missionária no mundo inteiro. Somos como a águia.

EM RELAÇÃO AO AVIVAMENTO - É triste ver pessoas colocando um muro de separação dentro da igreja, rotulando os outros como tradicionais ou avivadas. A rotulação quase sempre é preconceituosa. Tradicional hoje é sinônimo de uma pessoa irredutível, conservadora, incapaz de ver qualquer coisa boa naquilo que difere de sua posição; mas agarrada aos costumes, a tradição e ao passado do que ao fluxo da vida nova em Cristo que deve brotar dentro da igreja a cada dia. Torna-se fechada à obra do Espírito. Nunca está aberta para ouvir a voz do Espírito. Se fecha, se encolhe, vive amargando uma aridez profunda na alma, uma sequidão no coração, um agreste no espírito. Têm medo do Espírito Santo, medo de perder o referencial da tradição, medo de tornar-se avivadas.
 
 Por outro lado, há aqueles que, no afã de serem avivados, não dão nenhum valor ao legado que receberam no passado. Não gostam da história, não têm raízes. Não querem compromisso com a instituição. Só querem correr atrás de sinais e prodígios. Só buscam milagres. Só estão atrás de um evangelho de oba-oba, sem preço, sem custo, sem cruz, sem discipulado.
 
A verdade não está nos extremos. Nós devemos ter uma vida aberta ao Espírito de Deus. Ortodoxia e piedade são verdades que se completam. Precisamos de teologia com piedade; de ortodoxia com unção; de doutrina com avivamento; de conhecimento com poder. Uma das coisas mais importantes que Jesus nos revelou foi o equilíbrio, quando se manifestou cheio de graça e de verdade. Devemos conhecer as Escrituras e o poder de Deus. Não podemos ter uma visão estreita, tacanha, bitolada e parcial. Somos como a águia.
 
8) A ÁGUIA TEM PLENO DISCERNIMENTO
A visão é um dos prodígios mais fantásticos e extraordinários da criação. Segundo o oftalmólogo John Wilson, temos mais de 60 milhões de fios encapados em cada olho. Nosso olho é mais sofisticado que qualquer câmara de imagens que o homem já inventou. Podemos focar um ponto específico sem perder a imagem global do cenário. Isso se deve a um dispositivo que temos em nossa rotina chamado Flórea. Os cientistas examinando a águia, e a capacidade que ela tem para enxergar, descobriram que ela tem não apenas uma, mas três flóreas.
 
E mais, que uma flórea está apontada para cima, outra para frente e outra para baixo, de tal maneira que ela distingue, com clareza, ao mesmo tempo, um alvo para cima, outro para frente e outro para baixo. Isto é colossal e estonteante. Este fato nos trás algumas lições.

PRECISAMOS TER UMA VISÃO CLARA DO ALTO
A águia é a única ave que pode mirar o sol de frente sem ficar deslumbrada. Deus quer que seus filhos vejam o que os outros não podem ver. Há pessoas que sabem de tudo; dominam a ciência, a cultura, mas não discernem um palmo das coisas lá do alto. São analfabetas acerca das verdades eternas. Estão em trevas espirituais. Estão cegas acerca de Deus, do céu, da eternidade e da salvação de suas almas.

Mas os que esperam no Senhor têm uma visão clara de Deus. Conhecem a Deus não apenas de ouvir falar mas de forma íntima, profunda e pessoal, numa relação estreita, mística e deleitosa. Têm visão clara da eternidade. Não vivem pensando que a vida é só aqui e agora e que a morte é o fim de tudo. Não vivem oprimidos pelo medo do purgatório nem na ilusão de uma reencarnação inexistente. Sabem que viverão na eternidade com Jesus desfrutando das bem-aventuranças.
 
PRECISAMOS TER UMA VISÃO NÍTIDA A NOSSA FRENTE  
É triste ver como muitos cristãos vivem alienados do mundo. Não se interessam pelos problemas que atingem a humanidade. Tal como o avestruz, enterram a cabeça na areia do comodismo e da omissão. Pessoas assim não influenciam. São como sal insípido e luz debaixo do alqueire. Como cristãos não podemos ser pessoas alienadas. Somos um povo de vanguarda. A vida cristã não é fuga, é enfrentamento. Não é colônia de férias, é campo de batalha. Não é para covardes, mas para aquele que já renunciou à própria vida.
 
A Bíblia fala de homens santos que influenciaram na história por que estavam envolvidos nos assuntos seculares como José do Egito, Daniel, Neemias e tantos outros. A igreja é a luz do mundo e não a sombra da história. Precisamos estar nas alturas sem ignorarmos os tantos problemas que temos pela frente. Jesus é o nosso exemplo. Ele não viveu somente dentro da sinagoga ou do templo, alienado dos problemas do mundo. Ele viveu no meio do povo. Tinha cheiro de gente. Percorria cidades e aldeias, comia com pecadores escorraçados pelo legalismo fariseu; conversava com prostitutas, abraçava as crianças, tocava os leprosos, curava os enfermos, libertava os oprimidos e possessos de espíritos malignos. Seu ministério se deu na rua, na praia, no campo, nos lares. Onde Ele estava o ambiente era profundamente impactado. As pessoas eram tocadas pela sua Palavra e pela sua ação poderosa. Assim viveram os profetas e apóstolos. Assim a igreja deve viver.
 
No século XVII os pietistas ignoravam as coisas terrenas. Não podemos ser assim. Nossa visão do alto não tolda a nossa visão para frente. Somos como águia.
 
PRECISAMOS TER UMA PROFUNDA VISÃO PARA BAIXO  
A águia, por mais longe que esteja, lá de cima, avista suas vítimas Jó 39.29. Nossa visão de Deus não pode tirar nossa visão dos vales onde há pessoas enfermas, famintas, desesperadas, curtindo a dor da miséria. Às vezes choramos diante de uma situação mas somos incapazes de movermos uma palha para ajudar a aliviar a dor alheia. O cristão deve ser solidário e o seu amor, prático. Deve dar pão ao que tem fome, vestir o nu, visitar o enfermo, etc. Jó 29.15,16.
 
Não basta fazer belos discursos; temos que por a mão na massa. Somos corpo de Cristo. Ele está presente no que fazemos. No Brasil a realidade é chocante. Não podemos fechar o nosso coração Mt 25.31-46. Devemos amar a misericórdia Mq 6.8, exercitar o amor, levantar o caído, enxugar a lágrima do aflito, ser um bálsamo para a alma do desconsolado. Como a águia não podemos perder a visão das regiões baixas onde há gemidos e gritos de socorro.
 
9) A AGUIÁ NÃO ACEITA VIVER CATIVA
 Ela ama a liberdade, tem intimidade com as alturas, não sabe viver em cativeiro. Não consegue viver em gaiolas. Ela morre mas não fica cativa. Ela não aceita outra condição para sua vida que não seja a liberdade. Os que esperam no Senhor são como águia. Nós fomos chamados para a liberdade Gl 5.17; Cl 1.13; Jo 8.32,36. Vamos ver algumas lições práticas:
 
O CRISTÃO Ñ PODE VIVER CATIVO COM MEDO DO DIABO
Há crentes roendo as unhas, tremendo, assustados, com medo do diabo. Perdem até a comunhão com Deus de tanta preocupação. Há igrejas que falam mais no diabo do que em Jesus. Tudo é culpa do diabo. Uma dor de cabeça; o pneu furou; é obra dele. As pessoas acabam superestimando o diabo e fazendo o seu jogo. Veja 2Tm 1.7. A Bíblia não nos manda temer, mas resistir ao diabo. Ele é das trevas e não suporta a luz nem a verdade. Só sobrevive com máscara. Todo o poder foi dado a Jesus no céu e na terra, então não sobrou poder para mais ninguém. O diabo não tem nem a chave da sua casa Ap 1.17,18.
 
Com Jesus somos vencedores 1Jo 3.8. Com Jesus estamos só cumprindo tabela Cl 2.14,15; Lc 11.22. Temos autoridade sobre os demônios Lc 9.1. Devemos expulsá-lo pelo poder do nome de Jesus Mc 16.17, sabendo que ele será esmagado debaixo dos nossos pés Rm 16.20.
 
O CRISTÃO NÃO PODE VIVER CATIVO DO PECADO
Hb 12.4 diz que o crente é aquele que resiste o pecado até o sangue. Prefere morrer a ser cativo do pecado. Prefere ir para a fogueira como os amigos de Daniel a ser infiel a Deus. Prefere mofar atrás das grades como José do Egito, mas com a consciência tranquila, a capitular-se ao pecado. Prefere ser apedrejado até a morte como Estêvão a recuar-se no seu testemunho fiel. Prefere tombar no campo de batalha degolado como Paulo a ceder às pressões do pecado.
 
Quem está em cristo é nova criatura ou então, não está em Cristo. Se somos de Jesus devemos andar como Ele andou.  1Jo 2.6; 1Jo 3.9. O cristão não vive com o pé no laço, o pescoço na coleira, em cativeiro; ele é livre. É escandaloso ver como muitas pessoas que se dizem crentes não aparentam nenhuma diferença dos ímpios. Frequentam a igreja mas estão cativos. Estão na jaula do adversário.
 
O CRISTÃO NÃO VIVE CATIVO DA OMISSÃO
Há crentes que são agentes secretos de Jesus. Não se identificam como embaixadores do Rei. Sua vida é tão insípida que ninguém nota que eles são de Jesus, se é que são. São determinados só para falar de futebol, novela, política, moda, etc. mas não abrem a boca para falar de Jesus. Evangelho é proclamação de boas-novas. A fé vem é pelo ouvir. Não  podemos ser omissos e nem guardar o tesouro só para nós. Temos que gerar filhos. Temos que tirar o perdido das trevas para a Luz porque o dia do juízo se aproxima.
 
10) A ÁGUIA É FIEL  
Ela não é como as outras aves na área do acasalamento. As aves domésticas não observam a lei da relação restrita. O comportamento da águia é diferente. Ela é fiel ao seu parceiro. A fidelidade é a base de todo casamento estável e feliz. A infidelidade destrói a confiança, sufoca o amor, mata o respeito, acaba com a transparência, suscita o ciúme, gera crises, destrói o casamento, desestabiliza os filhos, afeta pessoas envolvidas, abre feridas às vezes incuráveis, prejudica sociedade, a igreja, e desagrada a Deus. Faz com que as pessoas percam o rumo.
 
Via de regra a infidelidade desemboca no divórcio. E aí é problema atrás de problema. O homem moderno zomba de Deus, escarnece Sua palavra, tripudia sobre os mandamentos das Escrituras. Vivem para a carne, para o prazer, presos ao cabresto do diabo. O mais triste é que essa prática atinge os arraiais evangélicos. Virgindade hoje é coisa rara. Vamos discutir o assunto infidelidade e divórcio, olhando para a vida de um homem piedoso mas que não vigiou e caiu, amargando terríveis consequências. Esse homem é Davi (2Sm 11). Ele matou um leão, derrotou um urso, venceu um gigante, conquistou terras, venceu exércitos, mas foi derrotado pelas suas próprias paixões. Vamos ver os motivos:
 
I - SOLIDÃO v. 1 - A solidão torna a pessoa presa fácil da tentação. Se Davi tivesse ido para a guerra não teria sido laçado pela paixão.
 
II - OCIOSIDADE v.2 - Os soldados estavam na guerra e Davi dormindo. Sem compromisso, sem agenda. Este foi o primeiro degrau da queda.
 
III – A CONCUPSCIÊNCIA DOS OLHOS v. 2 - A mulher era formosa. Davi a viu. Sentiu um desejo incontrolável. A cobiça dos olhos foi o laço que o diabo usou para derrubar Davi. Eva, Siquém, Acã, e tantos outros caíram no mesmo laço.
 
IV - PERIGO A FRENTE, NÃO AVANCE v.3 - Davi deu corda ao pecado. Caminhou na direção do perigo. Flertou com a tentação. Abriu espaço para o desejo lascivo. Agora está a um passo da queda. 
 
V - TAPANDO OS OUVIDOS PARA A ADVERTÊNCIA DE DEUS v.3 - A informação que Davi recebeu foi um aviso de Deus para ele não se envolver no caso. Davi não ouviu. Não honrou a Deus, nem ao seu fiel soldado, nem sua família, nem a si mesmo. Tapou os ouvidos para as trombetas de Deus.
 
VI - CAPTULANDO-SE AO PECADO v.4 - Davi brincou com o pecado e foi vencido por ele. Brincou com fogo e se queimou. Teve tantas vitórias pelo poder de Deus e agora naufragou.
 
VII - O PREÇO DO PECADO v.5 - A mulher mandou dizer "estou grávida". O prazer do pecado dura pouco. Davi trocou algumas horas de prazer por uma vida inteira de desgosto. O pecado não compensa. A traição tem um custo alto demais. Daí por diante é só problemas.
 
VIII - ESCONDENDO DO PECADO v.6-27 - Davi tenta vários expedientes para encobrir seu pecado. Tenta enganar Urias, marido de Bate-Seba vv. 6-13. Manda matar Urias v.14-17. Tenta camuflar o pecado v. 25. Casou-se com a viúva como se fosse um gesto de grandeza v. 26-27. Deus reprovou a atitude de Davi Gl 6.7.IX –
 
IX - O PESO DA MÃO DE DEUS - Sl 32 - O pecado não fica sem julgamento. Davi escondeu seu pecado mas a sua consciência ficou pesada. Seus ossos se envelheceram v. 3. Ele gemia de angustia diariamente v.3. Sentia o peso da mão de Deus v.4. perdeu o vigor e a alegria v.4. No trono, ele resolve os problemas dos outros mas sua vida é um inferno.
 
 X - AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO - A criança morreu 2Sm 12.15-18. Davi foi desmascarado publicamente 12.7-9,12. A espada nunca mais se apartou de sua casa 12.1,11, Amnom estupra Tamar, Absalão mata Amnom, Absalão abusa das concubinas do Davi em público e tenta matá-lo, Absalão morre, mais tarde Salomão mata o irmão Adonias. Tudo isto são conseqüências de algumas horas de prazer. Temos que entender que os valores de Deus não mudam e por isso não devemos ceder às pressões da sociedade. Não podemos imitar o mundo. O cristão não deve se conformar ou acostumar com o pecado, antes deve repudiar o pecado.
 
É tempo de a igreja levantar a sua voz profética e condenar, sem rodeios, a transgressão. Temos que ser fiéis como a águia. Fidelidade é imperativo divino.

12) A ÁGUIA BUSCA O QUEBRANTAMENTO E A RENOVAÇÃO
Sl 103.5. A águia, quando começa a sentir que as suas penas estão ficando velhas e enferrujadas; que o seu bico já não está tão afiado e forte; que as suas garras já estão enfraquecendo, toma uma medida drástica, quase traumática. O que ela faz?

1º - INTERROMPE SUAS ATIVIDADES - Não trabalha, não voa, não caça, não se aventura. Fecha a agenda, cancela seus compromissos. Deus não está interessado no nosso ativismo. Ele está mais interessado no que somos do que naquilo que fazemos. Ativismo sem santidade gera trovões mas não trás a chuva fresca e restauradora. Os filhos de Eli carregaram a Arca e ainda foram mortos. Trabalho sem vida não produz frutos que agradam a Deus Ml 1.10; Gn 4.5; Mt 5.24. Precisamos aprender com a águia.
 
2º - ISOLA-SE NO ALTO DOS PENHASCOS - A águia não voa em bandos. Quando está em processo de renovação, ela alça o vôo, galga as maiores alturas e se refugia no cume dos penhascos. Ali ela fica sozinha, isolada, enfrentando sua própria realidade. Há momentos em que a gente precisa sair do meio da multidão e mergulhar na nossa própria intimidade. Jesus, em meio a trabalhos intensos, jamais deixou de ter momentos a sós com o Pai. Ele se isolava do barulho das multidões e ia para os montes onde ficava face a face com o Pai, em deleitosa e solitária comunhão. Precisamos gastar tempo com Deus para termos o que dar. Temos que falar primeiro dos homens para Deus e só então poderemos falar de Deus para os homens.
 
3º - ARRANCA SUAS PENAS - Quando chega no cume dos penhascos, ela começa a arrancar com o bico uma a uma suas penas. Não poupa a si mesma da dor intensa. Seu corpo vai ficando desfigurado. Se quisermos ter uma vida nova com Deus, abundante e cheia de vigor e poder, precisamos descartar muito peso e muita bagagem inútil que carregamos. Se queremos subir à presença de Deus como Jacó, precisamos lançar fora os ídolos, as vestes sujas do pecado Gn 35.1-3. É preciso ter coragem para arrancar as penas velhas que nos cobrem. Não há restauração sem reforma. Antes do avivamento vem o quebrantamento. A águia, depois que acaba de arrancar as penas, fica desfigurada. Contudo, depois de alguns dias, nascem penas novas, lindas e fortes. Tudo se faz novo. Ela ganha nova aparência, fica encantadora, deslumbrante. Os que esperam no Senhor se humilham e depois são exaltados. Tiram as vestes sujas e trocam por vestes alvas. Se despojam do velho homem e são renovados para uma vida nova cheia de vigor e poder.

4º - ESFREGA O SEU BICO NA ROCHA - A águia, quando percebe que o seu bico já está ficando fraco, ela o esfrega fortemente na rocha até ele ficar em sangue vivo. Após este processo, ela fica totalmente desfigurada, mas depois cresce um bico novo e forte como o aço. Nós também precisamos passar por esta experiência. Precisamos colocar a nossa boca no pó. Remover as coisas velhas dos nossos lábios. Nossa língua deve ser uma fonte a jorrar palavras de vida e não um canal do veneno ou arma da morte. Devemos ser verdadeiros atalaias. Precisamos pedir a Deus que toque nos nossos lábios com brasas vivas do altar. Devemos ser a boca de Deus Jr 15.19 e a Voz de Deus Lc 3.4. Mas para isso temos que esfregar o bico na rocha.

5º BATE AS SUAS GARRA NA ROCHA - Quando percebe que as suas garras estão impotentes, a águia bate as garras com força sobre a rocha várias vezes até que a camada envelhecida seja arrancada, ficando em carne viva. Ela fica toda ensanguentada sob o flagelo de dores terríveis. Após este processo, as garras começam a brotar com toda pujança e vigor, fortes como ferro, e ela fica completamente renovada.
 
Agora, remoçada e revitalizada, ela desce das alturas para continuar sua vida e suas atividades. Devemos afiar nossas garras. Com elas a águia captura suas presas; são suas armas de combate. Nós também precisamos estar afiados para encarar o combate. Nossa vida é um campo de guerra e nessa guerra não há trégua, nem cessar fogo, não existe folga. A diferença é que nossas armas não são carnais e sim espirituais. Temos armas de defesa Ef 6.14-16 e armas de ataque Ef 6. 17-18. Para usá-las com destreza, precisamos estar na presença de Deus, nas alturas, porque Dele vem a nossa restauração e a nossa força. É preciso subir às alturas com humildade, com arrependimento, com disposição de mudança, porque a transformação vem de Deus. Só o Espírito Santo pode refazer-nos. Só de Deus vem a nossa cura. Só do Altíssimo brota a nossa restauração.
 
13) CONCLUSÃO - Depois desta palavra você está melhor ou pior? Neutro você não pode estar. É impossível. Sempre que ouvimos a Palavra de Deus nos tornamos melhores ou piores. A Palavra é espada de dois gumes. Talvez você esteja vivendo escondido atrás das bagagens do complexo como Saul 1Sm 10.22, ou fugindo, com a consciência cheia de culpa pelos erros cometidos, como Caim Gn 4.14. Quem sabe tomando um navio para Társis como Jonas? Jn 1.3, ou caiu na rede como Davi 2 Sm 11.1-25. Quem sabe você tem negado a Jesus como Pedro? Lc 22.54-62. Quem sabe você tem sido como o filho pródigo, cuspindo no prato que comeu? Lc 15.11-24. Quem sabe você está como o jovem rico, perdido dentro da igreja? Lc 18.18-23. Quem sabe você tem sido como Demas que põe a mão no arado e olha para trás? 2Tm 4.10. Mesmo que você esteja nessa condição, ainda há esperança para você.
 
O que torna este pássaro tão régio e majestoso? O que existe nele que nos impressiona tanto? E porque, nas Escrituras, Deus comparou a Si mesmo e a nós com a águia?

Não procure a renovação em movimentos religiosos mas no seu intimo. Voe para cima como a águia. Habite nas alturas com o Senhor. Você foi criado para vencer.
 

Pastor Jorge Albertacci
Assembleia de Deus do Retiro - Volta Redonda – RJ
 
FONTE DE PESQUISA:
1 - Bíblia Sagrada 3.0 – SBB – RC/1995
 
2 - Voando com as Águias - Kenneth Hagin Jr
Título original: Soaring with the Eagles
 
3 - Voando nas Alturas - Reverendo Hernandes Dias Lopes
 
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