A Igreja do Senhor e seus membros - Estudos Bíblicos

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A Igreja do Senhor e seus membros

Igreja
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TEXTO
1Coríntios 12:18-31 – Mateus 16:13-20
 
INTRODUÇÃO
 
A Palavra de Deus nos revela que durante as dispensações que o mundo viveu até a presente. Ele sempre teve Sua mente voltada para um povo específico, a Igreja. Ela sempre esteve no Seu projeto, mesmo antes da fundação do mundo (Efésios 1:4), mas que na verdade, ela somente seria estabelecida sobre a Pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Comporia ela, um povo tirado de todas as nações do mundo e de todas as classes sociais, sendo, todavia, mas aceita pelos miseráveis pecadores – que com Seu próprio sangue pagaria as mazelas de todos, morrendo na cruz. É sumariamente importante refletirmos, ainda que de forma breve, acerca dos perfis da igreja do primeiro século e a do século atual. Esse exercício se faz necessário visto que estamos vivendo em um novo tempo. Enquanto a modernidade desmotivava o estudo teológico, fala-se agora da necessidade de uma teologia pública, ou seja, a mensagem cristã adequada em termos de Linguagem, forma e conteúdo às necessidades das pessoas do mundo atual. Se ela fechar-se em si, poderá tornar-se sectária, obsoleta e incomunicável às pessoas que dela mais precisam. Não obstante, abrir-se em demasia pode levar a comunidade de fé ao perigo de descaracterizar-se diante das absorções indiscriminadas de modelos que não servem para a sua vivência.
 
A IGREJA COMO O CORPO DO SENHOR
 
A Bíblia nos revela também que a Igreja na somatória dos seus membros forma o Corpo de Cristo. Cada membro, particularmente é uma UNIDADE e com a UNIÃO destes é que forma a UNIDADE (Igreja). Neste caso, um membro é um membro e a Igreja é a Igreja. Sabemos entretanto, que o Senhor reconhece cada um de nós como membro do Seu Corpo onde estivermos. É notório nos dias atuais encontrarmos pessoas que não se ajuntam aos demais membros, se dizendo, no sentido radical, ser elas a Igreja. Não se ajustam a nada que forme a Igreja, CORPO do SENHOR. Estes reclamam, como que se fossem os santarrões, que não se adequam às instituições reconhecidamente como Igreja, porque não encontram uma que esteja em conformidade com seu perfil.
 
A pessoa para querer fazer parte de uma Igreja, primeiramente ela precisa querer Jesus. Jesus, cujo Corpo é a Igreja. Jesus, o Senhor da Igreja. Jesus, a Pedra, sobre a qual, a Igreja está edificada. Quando ouvimos alguém dizer que está procurando uma Igreja boa e séria, é porque na verdade esse alguém não está querendo nada. Seus pés ainda não se encontram firmados sobre  a Rocha, mas, sobre a areia – (Mt 7:26).
 
“A carreira ministerial de Jesus  havia chegado a um ponto crítico. O ministério público na Galileia havia terminado e a jornada em direção à cruz logo seria iniciada; e Ele desejava atrair os discípulos a uma afinidade ainda maior com a sua pessoa, como jamais havia feito. Era necessário que seus doze seguidores tivessem uma fé muito sólida em sua missão como o Messias, para enfrentarem um futuro que iria, rigorosamente, testá-la. Seriam eles os primeiros obreiros da Igreja do Senhor.
 
Ao alcançar as proximidades de Cesareia de Filipe, Cristo perguntou aos discípulos: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? Eles deram várias respostas: João Batista;... Elias,... Jeremias ou um dos profetas. Então Ele fez a pergunta mais importante de todas. Literalmente, ela seria: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu pelo grupo: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
 
Jesus declarou: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Carne e sangue era uma expressão rabínica usada para a humanidade, fazendo um contraste com a Divindade. Somente uma revelação divina do Espírito Santo pode nos fazer conhecer realmente que Jesus é o Filho de Deus, e essa revelação nos dá uma certeza interior que não pode ser abalada. Cristo prosseguiu dizendo: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. A palavra Pedro corresponde ao termo grego petros, que quer dizer “pedra”. O rochedo é uma petra ou “uma massa de pedra diferente de petros, que é um pedaço de pedra solta ou seixo.” Nos Evangelhos, a palavra grega ekklesia ocorre apenas nessa passagem e em Mateus 18:17 (duas vezes). Mas ela é encontrada cerca de vinte e quatro vezes em Atos e mais de sessenta vezes nas epístolas de Paulo. Seu significado básico é “assembleia”.
 
 
Na Septuaginta, essa palavra foi usada para a “congregação” de Israel. Na época de Jesus, seu significado comum era uma reunião legal dos cidadãos livres e eleitores de uma cidade grega. No Novo Testamento, ela foi empregada três vezes com esse sentido secular (At 19:32, 39, 41). O significado literal de ekklesia é “chamados para fora.” Da mesma maneira, a Igreja de Jesus Cristo é composta por pessoas “chamadas para fora”, as quais têm o especial privilégio de funcionar como uma congregação de Deus.”
(Comentário Bíblico Beacon - CPAD - Volume VI).
 
O PERFIL DA IGREJA NEOTESTAMENTÁRIA
 
1. Comunitária
Era simplesmente impossível ignorar a Igreja do primeiro século. Empenhada no cumprimento da missão que lhe confiou o Senhor, os bens materiais não eram, nem de longe, o que ela mais valorizava. Daí o porquê da facilidade em partilhar (At 2:44-45). A doutrina era única, assim como todas as coisas lhes eram comuns (At 2:42-47). Até o sofrimento era encarado de forma muito diferente dos dias de hoje. Em vez de revolta, este gerava orgulho e honra, pois isso os identificava com Cristo (At 5:41; 1 Pe 3:14; 5-9).
 
2. Carismática 
A Igreja dava Liberdade ao Espirito Santo e seus membros eram revestidos de poder (At 2:4). Os crentes perseveravam nas orações e eram tementes ao Senhor o que fez com que o povo de Deus experimentasse sinais e prodígios por intermédio dos apóstolos (At 2:42-43).
 
3. Dirigida pelo Espírito por meio de homens de Deus
A sintonia com o Espírito Santo era tão fina que, quando da infrutífera discussão acerca da necessidade de circuncidar os gentios, a decisão final não foi um arrazoado puramente humano; antes, partiu do Espírito para os líderes e desses para a Igreja (At 15:28-29). A Igreja não tinha um ditador e nenhum deles eram horados em detrimento de outro irmão.
 
A IGREJA DO SÉCULO 21
 
1. A Igreja em meio ao ativismo
Até por uma questão de organização social, é praticamente impossível que, no tempo presente, consigamos reproduzir o “estar juntos” todos os dias à semelhança da Igreja do primeiro século (At 2:42). Entretanto, com as redes sociais e a televisão, a Igreja do século 21 tornou-se ainda menos comunitária. As reuniões semanais não são bem frequentadas como deveriam ser, enquanto o domingo à noite é bastante concorrido.
Ocorre, porém, que, ao terminar o culto, devido às obrigações que já se iniciam na segunda-feira e a dificuldade com o transporte coletivo, os irmãos não têm condições de passar um período juntos. Essa desagregação, para dizer o óbvio, traz danos à saúde da igreja local.
 
2. A multiplicidade de denominações
O crescimento das denominações é algo que impressiona os sociólogos. As últimas pesquisas apontam para um número muito grande de trânsito ou mobilidade religiosa. As pessoas “trocam" de igreja como de roupa, não tendo nenhum compromisso com as raízes denominacionais (Hb 10:25). Esse fenômeno também foi identificado pelo censo IBGE de 2010 que apontou a existência do grupo (ou classificação), chamado de “múltiplo pertencimento".
 
3. A descaracterização da mensagem bíblica
Infelizmente, a mensagem da Palavra de Deus tem sido distorcida para fundamentar as mais estranhas visões acerca de Deus, de Jesus Cristo, do Espírito Santo e do Evangelho. Há muitos anos, o pastor Antonio Gilberto escreveu que a Bíblia sofre, por falta de conhecimento, muito mais na boca dos que a pregam do que na dos críticos e ateus.
 
DESAFIOS DA IGREJA DO SÉCULO 21
 
1. Manter a essência
Embora não seja possível após vinte séculos reproduzir fielmente a Igreja do Novo Testamento, é obrigatório manter a essência do Corpo de Cristo (Rm 12:5; 1 Co 12:12-27). É impossível estarmos ligados à cabeça, que é Cristo, e agirmos de modo diferente do que Ele preceitua e exige (Ef 4:12-16; Cl 2:16-19).
 
2. Fortalecer o seu programa de educação cristã
Uma das ordens do Senhor Jesus Cristo foi que pregássemos e ensinássemos (Mt 28:19-20; Mc 16:15-20). Essa prática caracterizou a Igreja do primeiro século e foi assim que ela cresceu (At 5.42; 6.7; 15.32-36). Invariavelmente, verificamos que a Igreja prega, ou seja, realiza cinquenta por cento de sua missão, Não obstante, os outros cinquenta por cento, que dizem respeito ao ensino e são muito mais difíceis de cumprir, acabam sendo esquecidos. A educação cristã é um processo contínuo e ininterrupto que não pode ser realizado de qualquer maneira (Rm 12:7; 15:4; 1Tm 4:13; 2Tm 2:1-2; 3:10-17). Isso sob pena de não estarmos de fato obedecendo integralmente ao “ide” do Meigo Nazareno Jo 15:1-27). Diante desse contexto e por reconhecermos que estamos em outro tempo, uma Escola Dominical de qualidade faz toda a diferença.
 
3. Não abdicar a sua identidade bíblica 
Mesmo cientes do crescimento das denominações, a Igreja não pode, em hipótese alguma, negociar a sua identidade. Algumas, por quererem se tornar muito palatáveis, acabarão apostatando da genuína fé em Cristo (2 Tm 4:1-4), “Versões alternativas” do Evangelho são oferecidas como se fosse possível negociar com a Palavra de Deus (Gl 1:8). Tudo voltado à conquista, simpatia e a adesão das pessoas, sem que estas tenham um compromisso com o Senhor da Igreja.
 
CONCLUSÃO
 
Com a multiplicidade de denominações os crentes não concordam em viver plenamente segundo os preceitos bíblicos, porque cada um tem uma “visão” para defender. São tantas estas “visões” que é muito normal o indivíduo somente concordar com a “visão” dele próprio, racionalizando a si mesmo com a Igreja de Cristo. Quando racionalizamo-nos, particularmente, no sentido literal, como Igreja, faremos do Corpo uma pluralidade de Igreja, porque são muitos os membros. Cada um de nós que pela misericórdia de Deus fomos alcançados pela graça, temos o privilégio de fazer parte da Igreja do Senhor como membro; e não ser ela inteira.
 
Da mesma forma, uma vage de feijão com cinco caroços, é uma unidade, uma vage. Por sua vez, cada caroço também é uma unidade, um caroço. Neste caso, um caroço nunca pode dizer: “sou uma vage.” Com a união das cinco unidades de caroços é que forma a unidade: “uma vage.”
 
A Igreja do Senhor não tem sido solidária como nos seus primeiros dias. A sensibilidade não desperta mais com facilidade entre os crentes. Para todas as coisas, mesmo entre os santos do Senhor, sempre há o contraditório, mesmo se o assunto em pauta for inconcusso mediante o que preceitua a Palavra de Deus. Não há um entendimento sadio. Diferente dos dias da Igreja Primitiva os crentes dificilmente caem na graça do povo (Atos 2:47).  Na Carta aos Efésios 4:4-6 Paulo define de forma clara este assunto: “Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos”. Efésios 4.4-6.
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Jorge Albertacci – 08/08/2016
Assembleia de Deus do Retiro
Volta Redonda - Rio de Janeiro
 
NOTAS:
Comentário Bíblico Beacon Vol. VI - CPAD 
Lição 13 EBD: A Igreja do século 21
3º Trimestre de 2015 - CPAD
 

 
 
 
 
 
 
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