A Instituição dos Diáconos na Igreja Primitiva - Estudos Bíblicos

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A Instituição dos Diáconos na Igreja Primitiva

Teologia do Obreiro III
A Formação do Colégio Diaconal
 
Texto Bíblico Introdutório

Atos 6:1-7 - 1 Timóteo 3:1-4, 8-13

Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.  Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra. E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia;  E os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé.

1 Timóteo 3.1-4, 8-13.
 
Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento;  que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia. Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância, guardando o mistério da fé em uma pura consciência. E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis.  Da mesma sorte as mulheres sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo. Os diáconos sejam maridos de uma mulher e governem bem seus filhos e suas próprias casas. Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus.
 
INTRODUÇÃO

A partir de então estava formado o Colégio Diaconal que cuidaria do serviço que promove a mudança social buscando a resolução de problemas nas relações humanas, bem como a promoção do bem-estar das pessoas. O diaconato foi instituído a partir de uma contingência. Tudo aconteceu quando os crentes de expressão grega, inconformados por estarem suas viúvas sendo preteridas na distribuição diária, puseram-se a murmurar contra os hebreus.
 
CONSIDERANDO AS PRIORIDADES

Buscando extinguir a dissensão, propuseram os apóstolos à “multidão dos discípulos” a escolha de sete homens notáveis por sua reputação, para que se encarregassem daquele “importante negócio”. Dessa forma, poderiam os pastores da Igreja dedicar-se à oração e ao ministério da Palavra de Deus. O que parecia um problema local redundou numa solução universal.
 
Se evangelizar e fazer discípulos são a incumbência primária da Igreja Cristã, socorrer aos necessitados não lhe é tarefa secundária. Aprendamos, pois, com os santos apóstolos a cumprir integralmente a missão que nos confiou o Cristo de Deus. Tem você se ocupado com os mais carentes? Jesus não os esqueceu. Ordena-nos o Senhor ainda hoje: “Dai-lhes vós de comer.”

AS DORES DO CRESCIMENTO

No Dia de Pentecostes, quase três mil almas converteram-se ao Senhor (At 2:14-39). Apesar de um crescimento tão surpreendente, os discípulos “perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At 2:42). O que isso evidencia? A completa dedicação da liderança ao discipulado e à sã doutrina. Tem você se consagrado à evangelização e ao ensino? Somente assim pode a sua igreja crescer. Esteja, contudo, preparado para os incômodos e as dores que acompanham o crescimento. Foi o que experimentou a Igreja em Jerusalém.

1. A URGÊNCIA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL. Em razão do crescente número de conversos, os apóstolos não mais tiveram condições de atender devidamente às demandas sociais da Igreja (At 4:4; 6:1). Era necessário organizar o ministério cotidiano. Se de início não havia necessitado algum, agora já apareciam as queixas de um segmento muito importante da irmandade: os gregos. Eram estes, segundo podemos depreender, israelitas provenientes da Diáspora. A Igreja em Jerusalém sentia, agora, as dores do crescimento. Somente as Igrejas que não crescem são poupadas de tais desconfortos. Como está o trabalho de assistência social de sua igreja? Todos estão sendo socorridos? O ideal é que, em nosso meio, ninguém seja esquecido (At 4:34).
 
2. A MURMURAÇÃO DOS GREGOS. Os crentes de expressão grega puseram-se a reclamar de que suas viúvas estavam sendo preteridas na distribuição diária (At 6:1). Fez-se murmuração o que era queixume. Para esvaziar aquele clima de insatisfação que já começava a generalizar-se, os apóstolos foram divinamente orientados a instituir o diaconato. Por que permitir que seja a discórdia espalhada entre os irmãos? Busquemos a sabedoria do alto. E assim teremos condições de pacificar os ânimos e manter a unidade do povo de Deus. A murmuração helênica denunciou a urgência de implementar-se a Assistência Social na Igreja Primitiva.

A INSTITUIÇÃO DO DIACONATO

Com a murmuração dos gregos a ressoar-lhes aos ouvidos, os apóstolos reuniram a “multidão dos discípulos”, objetivando solucionar aquele problema. Por que deixá-lo avolumar-se e enfermar toda a congregação?
 
1. A PARTICIPAÇÃO DA IGREJA NAS DECISÕES. Os apóstolos, convocada a Igreja, propuseram a escolha de sete varões, para se encarregarem da assistência material e social aos santos. Requeria-se fossem os candidatos homens de “boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (At 6:3). Afinal, iriam eles lidar com o povo de Deus. Em sua Primeira Epístola a Timóteo, Paulo destaca a importância desse ministério: “Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus” (1 Tm 3:13).
 
2. O MINISTÉRIO DIACONAL. Apesar de o capítulo seis de Atos não mencionar uma única vez a palavra “diácono”, não resta dúvida de que o ofício foi instituído naquela ocasião. É mister ressaltar o destaque de dois daqueles obreiros: Estêvão e Filipe (At caps. 6, 7 e 8). Não fossem os diáconos, como haveriam os apóstolos de se dedicarem à edificação do corpo de Cristo? Há que se mencionar o diácono Atanásio (295-373) que, na História da Igreja Cristã, é honrado como o pai da ortodoxia. Que o Senhor nos dirija na escolha de homens íntegros, sábios e cheios do Espírito Santo, para que nos auxiliem no exercício do pastorado. Subsídio - Lições da Escola Bíblica Dominical – CPAD – Casa Publicadora das Assembleias de Deus.

QUALIFICAÇÕES E ATRIBUIÇÕES DOS PASTORES E DIÁCONOS 
(1Tm 3.1-13)
 
1. Atribuições dos pastores (1Tm 3:1-7). Os que almejam o pastorado necessitam conhecer as atribuições e qualificações que tal atividade exige. Na hora da escolha de um candidato ao santo ministério da Palavra, o líder e a igreja de um modo geral precisam ver no aspirante algumas características.

2. Qualificações espirituais e ministeriais. Paulo apresenta uma lista de 15 qualificações. A primeira, como não poderia deixar de ser, é ter uma vida irrepreensível (v.2), ou seja, santa. Viver em santidade não é fácil, mas é possível, pois o Espírito que no crente habita quer operar a santificação. O pastor é o exemplo para o rebanho, por isso, precisa ter uma vida ilibada. O pastor também precisa ter conhecimento bíblico, sendo “apto a ensinar” (1Tm 3.2); ter bom testemunho diante da igreja e dos descrentes (1Tm 3.3.7); não ser neófito, inexperiente (1Tm 3.6).

3. Qualificações familiares. Ser casado e ter uma vida conjugal saudável (1Tm 3.2). O pastor deve amar sua esposa “como Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). Precisa governar bem toda a sua família, seus filhos precisam ser crentes e darem bom testemunho (1Tm 3.4). Se o pastor não cuida da sua família, que é seu primeiro rebanho, como cuidará do rebanho do Senhor?

4. Qualificações morais. Ser honesto, sincero, verdadeiro (Tm 3.2); hospitaleiro, ou acolhedor, sabendo tratar bem as pessoas (1Tm 3.2); não dado ao vinho, não usuário de bebidas alcoólicas (3.3); não espancador, ou seja não violento, agressivo (1Tm 3.3; Gl 5.22); não cobiçoso nem ganancioso (1Tm3.3); ser sóbrio (3.2), simples, moderado (1Tm3.3); não contencioso (1Tm 3.2; 2Tm 2.24); não avarento (1Tm 3.3; 6.10). Infelizmente, há igrejas que desprezam esses aspectos na hora de separar pessoas ao ministério pastoral.

O DIACONATO 
(1 Tm 3.8-13)

1. Os diáconos. A palavra diácono significa “aquele que serve”. Assim como o pastor, eles são chamados para servir à Igreja do Senhor. Os diáconos tiveram e têm um papel muito importante no crescimento da Igreja. Infelizmente, hoje em algumas igrejas, o ofício de diácono parece ter perdido sua importância. Em geral, são chamados para essa função os novos crentes, todavia, esse não é o padrão do Novo Testamento.

2. Chamado para servir. Assim como os pastores, aqueles que almejam o diaconato precisam ter o desejo de servir a Deus e aos irmãos. Hoje muitos querem ser servidos, mas poucos seguem o exemplo de Jesus e querem servir. Em Atos 6.1-7 encontramos várias qualificações que foram exigidas dos primeiros diáconos. Porém, na sua carta a Timóteo, Paulo indica outros importantes requisitos para o diaconato.

3. Qualificações. Aqueles que exercem a função de diácono necessitam ser honestos, não de língua dobre (mentiroso, fofoqueiro), não dado ao vinho (que não tenha nenhum tipo de vício), não cobiçoso, ganancioso, tendo uma boa consciência, que governem bem sua família (vv.8,9,12). Você tem estas qualificações? O ministério cristão é algo muito sério.

A Palavra de Deus mostra as qualificações que os que almejam o diaconato e o pastorado precisam ter
 
Quinze qualificações (1 Tm 3.2-7). Os versículos relacionam 15 qualidades a serem consideradas quando da seleção de bispos. Observe que entre as qualificações, não aparece a capacitação em seminário ou a posse de algum dom espiritual em particular. Observe o breve esboço do caráter do bispo (1Tm 3.2-7).

• Irrepreensível: inteiramente fiel à sua esposa;
• Esposo de uma só mulher: inteiramente fiel à sua mulher;
• Temperante: sóbrio, solícito e modesto;
• Domínio próprio: discipulado, moderado;
• Respeitável: modesto, honrado, bem-comportado;
• Hospitaleiro: que recebe bem os visitantes;
• Apto para ensinar: capacitado a explicar e aplicar os ensinamentos;
• Não dado à embriaguez: não dado ao vinho;
• Não violento: não dado à hostilidade, ao antagonismo;
• Gentil: bondoso, razoável, de boa família;
• Não contencioso: não combativo, inimigo de contendas;
• Não avarento: preocupado com as pessoas, não com as finanças;
• Bom governante de sua família: administra a vida familiar;
•Não seja um recém-convertido: maduro e humilde;
• Reputação imaculada: admitido pelos de fora”
(RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.835).
 
CONCLUSÃO
 
Os pastores e os diáconos são obreiros, instituídos pelo Senhor, para auxiliar os servos de Deus. Não importa a função que você exerça na Igreja de Cristo, seja você um pastor ou um diácono, o importante é que “todos sejam um” para a glória de Deus (Jo 17.21), sabendo que para Ele todo serviço tem a sua importância e valor. O ministério que mais se aproxima do pastor é o diácono, porque na Igreja, um complementa o outro. Enquanto o pastor cuida da aplicação da Palavra, o diácono assiste ao rebano. O pastor celebra a Santa Ceia, mas, é o diácono que a prepara e distribui. O pastor conhece as necessidades espirituais das ovelhas, enquanto que o diácono supre suas necessidades materiais. Até à metade do século XX, um pouco mais, os que auxiliavam na Igreja, almejava o diaconato, depois desse tempo, diante do atual sistema ministerial, muitos neófitos sem nenhuma condição de ser diácono, almejam e pelejam para serem pastores. A Igreja precisa urgentemente voltar aos primórdios, voltar a existiter sob os moldes da Igreja Primitiva.

Pr. Jorge Albertacci
Atualmente Pastor Emérito da Catedral das 
Assembleias de Deus do Retiro
Presidida desde de 2008 pelo Pastor Pedro Gonçalves da Luz
Rua Engº Joaquim Cardozo, 448 - Retiro - 27281-360  
Volta Redonda - Rio de Janeiro

 
 
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