A função do cajado no pastoreio - Estudos Bíblicos

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A função do cajado no pastoreio

Teologia do Obreiro
Salmo 23:4 

 "Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam"


INTRODUÇÃO

Nos tempos do Antigo Testamento, o cajado já era usado com diversos modos, como proteção das ovelhas, mas sempre no sentido de protegê-las, mantê-las unidas e nunca de espancá-las. 
 

SOBRE AS OVELHAS E A IGREJA DO SENHOR

O instinto gregário que é próprio dessa espécie animal, ou seja, vida em coletividade, demonstra uma união muito íntima eles. Por esse motivo, as Igrejas normalmente usam o cajado como símbolo da união de seus membros e até hoje, o cajado é uma ferramenta muito utilizada no pastoreio de ovelhas.


UMA EXPERIÊNCIA PRÓPRIA

Como pastor de gado (bovinos) que fui desde criança, até completar 15 anos de idade, adquiri experiências que jamais sairão da minha vida. Eu e meu irmão lidávamos com 70 animais, todos tinham um nome e assim como nós os conhecíamos, eles nos conheciam também. Sempre recíprocos ao tratamento a eles dispensados; sua forma de lamber quem o pastoreia parece uma demonstração de gratidão. Trabalhávamos sob os olhos do nosso pai e do avô. Estes, sempre depois de uma jornada de trabalho corrigia, não somente os lombos dos animais, mas, também as varas que por eles eram nos confiadas para a devida correção, a minha era de Catiguá, que me custou "caro" quando a perdi. 

O CAJADO

O Cajado na mão do pastor é como uma extensão do seu braço; onde sua mão não alcança, o cajado alcança – o Cajado é para proporcionar: segurança, apoio, manter os animais unidos, nos momentos de curativos, encaminhá-los para a não dispersão. Assim eram essas varas que, eram nossos instrumentos de trabalho. O Cajado nunca deve ser usado nos momentos de raiva, porque o pastor pode nesse momento faze-lo de instrumento de açoite. Este é um motivo importante a observar ao admitir um pastor. Se o indivíduo for temperamental, compulsivo, irascível - jamais esse indivíduo está apto para ser admitido para cuidar de ovinos. O pastor  deve usar o  Cajado somente  mediante ao estímulo das fibras do coração.


ALGUMAS PASSAGENS BÍBLICAS CITAM O USO DO CAJADO NA CRIAÇÃO DE OVINOS


"Vendo as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes como ovelhas que não têm pastor" (Mt 9:36).

UM DOS CORAIS DE BACH DESCREVE ESSA CENA
 "MANSAMENTE PASTAM AS OVELHAS"


"Ovelhas são animais mansos, sem garras ou chifres, incapazes de se defender. Morrem mansamente nos dentes dos lobos. E dizem que nem mesmo balem. Morrem silenciosamente. Essa é a razão por que é preciso que haja pastores que as protejam. O pastor traz na mão o cajado, ferramenta usada para a defesa do seu rebanho. E quando tudo está tranquilo, as ovelhas pastando, os lobos mantidos à distância pelo pastor, ele pode se dedicar a tocar sua flauta."  (Rubem Alves)

Segundo a enciclopédia livre "o cajado é uma vara do pastor, caracteristicamente tendo a extremidade superior recurvada em forma de gancho ou semicírculo. Ele é usado para tocar nas patas das ovelhas de leve para que elas retornem ao seu caminho, não desviando do mesmo. Em algumas ocasiões, o cajado pode ser utilizado como arma de defesa, protegendo o rebanho. A ovelha conhecia o Pastor pelo cheiro do cajado que se apegava a sua mão, sendo assim, ela conhecia o Pastor e o seu cajado."


O CAJADO TEM   DUAS FUNÇÕES PRINCIPAIS

1) Quando segurado pelo lado da curva, serve de vara para corrigir as ovelhas que se desviam;  

2) Segurando-o pelo lado reto serve para socorrer a ovelha caída em buracos ou precipícios, puxando-a pela curva do cajado.

ATUALMENTE

Na ovinocultura moderna o cajado tem a função de contenção dos ovinos, proporcionando bem estar animal, pois o cajado "estende" o braço do pastor em aproximadamente 1,5 metros, a mesma distância de zona de fuga dos ovinos, ou seja, quando o animal menos espera, o pastor já o conteve, diminuindo o estresse.  Por essa razão, a contenção do rebanho ovino jamais deve ser feita com laço ou similares, pois ocasiona grande estresse no rebanho e os animais ficarão mais ariscos.

CÃO DE PASTOREIO 


Para facilitar o manejo dos ovinos, além do cajado, é importante o uso de cães de pastoreio, que permitem arrebanhar as ovelhas, facilitando os curativos rápidos no próprio pasto sem a necessidade de levar os animais para o curral. Além disso, diminui o gasto energético dos ovinos com a locomoção, aumentando a produtividade. A técnica de utilizar cajado na mão e cão de pastoreio já é usada em vários países com tradição na ovinocultura como Austrália, Nova Zelândia e outros países da Europa. Essas ferramentas facilitam o manejo e diminuem o estresse dos ovinos.  No Brasil   o cão de pastoreio   foi introduzido  há poucos anos, aproximadamente vinte e cinco, mas cada dia mais o Brasil está adotando essa tecnologia, demonstrando a evolução da ovinocultura nacional. A grande vantagem do cão de pastoreio é que ele com grande facilidade aprende a aplicar toda sua docilidade nos animais. Outra vantagem é que o cão além de ser mais ligeiro do que o homem, ele ainda dispõe de maior facilidade para enfrentar animais ferozes e até mesmo indivíduo maudosos, com intenção de roubo ou furto.
  

CONCLUSÃO

Acima de ser um privilégio, é uma honra para o obreiro ter um rebanho confiado a ele. É sempre bom que obreiro entenda que ele não é um mero mordomo, mas alguém que tem conta a prestar ao dono do rebanho. Sua obrigação com o rebanho do Senhor é a de alguém que há de dar conta de uma a uma no dia da prestação de contas (Hebreus 13:3, 7, 17). Paulo o apóstolo do Senhor foi enfático ao recomendar aos pastores:"Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.  Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho.  E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.  Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar, com lágrimas, a cada um de vós" (Atos 20:28-31). Da mesma forma Pedro, àquele que, para apascentar o rebanho do Senhor, teve que declarar três vezes: Eu te amo Senhor, Eu te amo Senhor, Eu te amo Senhor (João 21:15-17), por sua vez, não somente por lidar com o rebanho, mas, pela experiência que tinha da responsabilidade que se deve ter com o rebanho, recomenda:  Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.  E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória (1Pedro 1:5).


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Pastor Jorge Albertacci
Tudo por amor a Jesus e ao Seu rebanho
Volta Redonda - Rio de Janeiro
23/12/2014
 
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